Fábrica brasileira já tem 50 fornecedores

Enquanto constrói sua fábrica de caminhões DAF em Ponta
Grossa, Paraná, que começa a produzir a partir de junho de 2013, a Paccar já
definiu uma rede de 50 fornecedores locais, com o objetivo de iniciar as
operações com índice de nacionalização de 60% a 65%. “Temos a cadeia de
suprimentos bem encaminhada para atender a legislação e garantir financiamentos
com taxas competitivas”, afirma Marco Antonio Davila, presidente da empresa no
País, referindo-se à linha BNDES/Finame para compra de veículos comerciais, que
exige conteúdo nacional mínimo de 60%.
Em encontro com jornalistas na segunda-feira, 30, Davila
revelou estratégia pouco diferente da divulgada em outubro passado, quando disse
que os caminhões DAF seriam inicialmente importados para venda no mercado
brasileiro a partir do fim deste ano ou começo de 2013, “a depender das
condições econômicas”. Com a desvantagem do imposto maior e financiamento mais
caro para veículos importados, a Paccar decidiu importar de 200 a 300 unidades
do extrapesado XF apenas para o abastecimento inicial das concessionárias no
País, que devem abrir as portas para pré-venda entre abril e maio, enquanto
aguardam para junho o primeiro lote de caminhões DAF XF feitos no Paraná.
“Mas os modelos importados já serão
produzidos na Holanda com muitos componentes exportados de fornecedores no
Brasil”, disse. Segundo o executivo, a empresa negocia essa condição com o
governo para poder trazer os produtos sem pagar impostos maiores – em princípio,
termina em dezembro próximo a aplicação de 30 pontos porcentuais sobre o IPI de
veículos importados de fora do Mercosul e México, porém muitos no setor
trabalham com a possibilidade de continuação dessa sobretaxação.
Comércio exterior cruzado
Para ajudar no rápido aumento do índice de
nacionalização no Brasil, além de comprar componentes no País, a Paccar também
traçou uma interessante estratégia de comércio exterior cruzado, com a
exportação de componentes fundidos do motor. “A Tupy (de Santa Catarina) vai
mandar para nossa fábrica na Holanda blocos, cabeçotes e virabrequins para serem
montados nos motores que nós vamos importar de lá para o XF”, explicou Davila,
acrescentando que diversos agregados também serão comprados e instalados no
País.
E não seria mais barato e simples
comprar o motor inteiro aqui mesmo de fabricante independente, como a Cummins,
que já fornece para alguns modelos da Paccar? “É mais barato, contudo seria
complicado adaptar. Hoje usamos os motores de 4 e 6 litros da Cummins e no
Brasil vamos fazer primeiro o XF (extrapesado que usa o motor Paccar MX, de 12,9
litros).” Além disso, Davila explica que a estratégia é começar as vendas no
Brasil com um motor próprio, para diferenciar a DAF dos concorrentes como marca
premium. Mas ele confirma que a Cummins será a fornecedora dos motores dos
outros modelos a serem montados no Paraná: os médios da linha CF 85 e 75, a
partir de janeiro de 2013, e os leves da linha LF que devem começar a ser
produzidos em 2015.
Davila avalia que
a linha logística de fornecimento estará bem azeitada no Paraná com as melhorias
prometidas para o Porto de Paranaguá, a 200 km da fábrica de Ponta Grossa, que
costuma formar filas quilométricas de caminhões na época das exportações da
safra de soja. “Se tivermos problemas poderemos usar Santos (SP) também, mas
Paranaguá já está separando o fluxo de embarque de grãos da movimentação de
contêineres. Com isso pretendemos movimentar nossos suprimentos por lá, tanto
importados como de fornecedores nacionais, além de fazer exportações”,
conta.
Investimentos nos fornecedores
A Paccar negocia investimentos diretos em alguns
fornecedores, como é o caso da Automotiva Usiminas, que vai receber em Pouso
Alegre (MG) partes estampadas importadas da Holanda e executar a soldagem e
pintura das cabines. “Provavelmente teremos de colocar recursos lá para montar
uma linha exclusiva”, revelou Davila. No Brasil a Paccar também vai terceirizar
a fabricação de alguns componentes, como é o caso dos eixos dianteiros, feitos
pela própria empresa no exterior e que aqui serão fornecidos pela Meritor.
Com essa estratégia, será possível
chegar a níveis elevados de nacionalização sem aumentar o investimento na
fábrica, programado em US$ 200 milhões, com a contratação inicial de 200
empregados diretos para produzir cerca de 1 mil unidades em 2013 – o número deve
chegar a 500 funcionários para fazer de 4 mil a 5 mil veículos em 2014. “Só não
abrimos mão da montagem final, que é estratégica para manter altos os nossos
padrões de qualidade”, diz Davila. Dos fornecedores é exigido índice máximo de
50 ppm (peças defeituosas por milhão). A linha de produção paranaense, a oitava
planta de caminhões do grupo no mundo, “vai adotar as melhores práticas da
Paccar”, segundo informa o executivo. Por isso a liderança do projeto é de
engenheiros da fábrica de Leyland, na Inglaterra, onde atualmente a empresa
apura os mais altos indicadores de eficiência e qualidade.
A Paccar divulgou a lista de seus 15 maiores
fornecedores no Brasil. Veja abaixo:
