Demanda baixa pode trazer risco de deterioração

Às
vésperas de completar o primeiro mês de obrigatoriedade de oferta do óleo diesel
S50, com menor teor de enxofre em sua composição (no caso, 50 partes por
milhão), a demanda, ainda tímida, pelo produto, principalmente entre veículos
pesados, preocupa o setor. A medida faz parte do Programa de Controle da
Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), criado em 2009.
Entre
as razões elencadas para a baixa procura pelo novo diesel, a mais citada é o
prazo dado aos fabricantes de veículos pesados para entregar, até março, os
veículos vendidos e faturados em 2011, cujos motores podem funcionar com
qualquer dos três tipos de óleo diesel a disposição no país. Como o diesel S50 é
o tipo mais caro - custa, em média, R$ 0,10 a mais do que os tipos S500 e S1800
- ainda não consegue estimular a adesão dos consumidores, mesmo sendo menos
poluente.
O S50 só é obrigatório para motores pesados fabricados a
partir deste ano. A nova frota menos poluente, estimada em quase 170 mil novos
veículos pela Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores
(Anfavea), só deve começar a rodar no segundo trimestre do ano. Para a Agência
Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a maior preocupação é
com os quase 3 mil postos revendedores, selecionados pelo órgão regulador para
oferecer o diesel S50. Esses postos já compraram o novo combustível, mas o
diesel só pode ficar estocado de 30 a 60 dias, dependendo das condições de
limpeza e filtragem dos tanques.
“Demanda baixa implica giro baixo do
produto e o produto não pode passar do prazo de comercialização, pois corre o
risco de se deteriorar. A ANP vai monitorar para que a qualidade não se
deteriore, mas isso é uma ação dos revendedores. O mercado de preço é livre, mas
não podemos permitir que um combustível de má qualidade seja comercializado”,
explicou Dirceu Amorelli, superintendente de Abastecimento da ANP.
Amorelli adiantou que vai reunir balanços da rede revendedora e tentar
obter informações sobre venda de veículos pesados, mesmo que a agência se
comprometa a guardar sigilo desses dados. “Preciso saber como está a saída de
veículos pesados para calibrar a resolução e a questão logística do [diesel]
S50. Se a gente verificar que o novo veiculo pesado só vai começar a rodar a
partir de dezembro, vamos ter que pensar em outro tipo de medida”, explicou.
Para o superintendente da área, o cenário ainda não permite uma
avaliação sobre o andamento do programa, mas a baixa demanda, por um lado, está
possibilitando pequenos ajustes na inserção do diesel S50. Uma das mudanças é a
atualização de informações sobre postos revendedores que pode resultar na
eliminação de alguns empreendimentos e, para garantir a cobertura nacional do
produto, possíveis inclusões de novos postos de abastecimento.
Se, por
um lado, o setor aguarda a chegada da nova frota de veículos pesados, por outro,
a ANP garante que, entre veículos leves movidos a diesel, como utilitários
esportivos e camionetes, está aumentando o consumo do S50. “Os SUVs [veículos
utilitários esportivos, na sigla em ingês] têm demanda crescente do S50. E, nas
frotas cativas, nos grandes centros, o diesel já está presente. Isso já é um
volume significativo, em torno de 6% [do volume total de diesel vendido no
país]. A expectativa é que, até o fim do ano, o volume de demanda do S50 dobre e
represente 12% do mercado e, no futuro, seja 100%”, projetou Amorelli.
Dirceu Amorelli, que mantém reuniões com representantes da rede
revendedora para orientar e esclarecer dúvidas sobre a implementação do plano de
uso do S50, garante que as resistências iniciais do setor, que temia os custos
de adaptação para ofertar o novo combustível, foram superadas quando a medida
passou a valer.
“Alguns revendedores ficaram com alguns tipos de
dúvidas. A gente tem que ver um pouco o lado do revendedor, que tem uma margem
apertada”, avaliou o superintendente da ANP, reconhecendo que a mudança resultou
em elevação de custos para toda a cadeia. “Tanto os polos produtores quanto as
bases e revendas tiveram que fazer algum tipo de investimento para receber o
S50, que é um diesel mais delicado. Mas é um custo ambiental que, hoje, todas as
empresas estão tendo que assumir.”
Os investimentos feitos para
adequação ao diesel S50 servirão como base para a implementação da próxima etapa
do plano, que prevê a entrada do óleo diesel S10, com teor ainda menor de
enxofre, a partir de 2013. “Quando começamos o plano de abastecimento, estavam
previstas a obrigatoriedade do S50, em 2012, e do S10, em 2013. Existe a
previsão de investimentos em toda a rede, do polo produtor até o revendedor. No
caso do revendedor, a mudança não seria significativa. Estamos acompanhando, nas
bases distribuidoras e nos polos produtores, as mudanças necessárias que são
mais rigorosas no caso do S10, mas a base dos investimentos já foram feitas no
S50”, disse Amorelli.